terça-feira, 12 de outubro de 2010

UMA MÍSTICA CRIATIVA



       Em nossa época, principalmente no mundo ocidental, o ser humano se apresenta como verdadei-ramente autônomo e responsável de sua situação global. Este fenômeno cultural é o resultado de um longo e complexo processo histórico, cujas raízes últimas são numerosas e de natureza bastante diversificada. Este processo que denominamos de secularização, se apresenta como uma ação real de emancipação da vida humana e da razão histórica, em relação a certo modo de entender o saber rigoroso e também em relação do modo de viver a religião, no âmbito pessoal e social.
       De acordo com a autora do livro “Comer, Rezar e Amar” Elizabeth Gilbert, este processo tem limitado a capacidade do ser humano de expressar a sua criatividade. Mas a pergunta que podemos fazer é: como em mundo moderno, agitado por constantes transformações, esta mística, até então esquecida, pode voltar a ser a fonte de criatividade para nós? Não serei ousado a ponto de dar resposta a uma pergunta tão complexa quanto esta, mas proponho que nos lembremos de alguns princípios: Primeiro, em Gênesis 1. 27 “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem...” Por sermos criados à imagem Deus, por natureza herdamos o seu DNA, neste estão impressos em nós a capacidade da criatividade. Segundo, em Salmo 19. 1-3: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos, (...) Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.”. Neste salmo, algo fica muito claro para nós, não há cultura, ou expressões culturais, sejam elas na linguagem, nas artes, músicas etc, em que não possamos perceber a impressão do Imago dei, ou seja, a imagem de Deus e sua manifestação visível ou não. Terceiro, e não menos importante, nos reportamos ao sociólogo Peter Berg, em seu livro Um rumor de anjos. Em seu livro, Berg afirma que o fato de todo este movimento de dessacralização, e o anúncio da morte de Deus, não decreta o fim da mística, mas mostra que está mística está mais viva do que nunca no coração de nossa sociedade, contudo, alerta ainda ser preciso saber enxergá-la e aproveitá-la.
        Diante disto, nós teólogos precisamos fazer coro à Elizabeth Gilbert, aos textos sagrados e a Peter Berg. Porque não voltarmos a conceber como ato divino o despertar de nossa criatividade? Porque não acreditar que há uma mística criativa, pronta a nos envolver? Talvez, perante a submissão a está mística viva é que podermos dar respostas plausíveis para uma sociedade carente de Deus.

        Por Marlison Torquet

Um comentário:

  1. Parabéns pelo texto. Ele expressa bem seu desenvolvimento acadêmico aqui na FABAT.

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