terça-feira, 12 de outubro de 2010

EM BUSCA DA SÍNTESE

        Em sua palestra, a autora de Comer, Rezar, Amar relembra o quanto a angústia pode assolar um homem após o Iluminismo e a Renascença. Esses períodos retiraram a magia metafísica que era contida em qualquer atividade humana e jogaram toda a responsabilidade sobre os ombros e a mente humana de onde se origina toda a razão.
        Ora, a proposta dela é simples: quando não se dá conta de lidar com isso, deve-se proteger a mente, e o que ela sugere é um retorno à antiga maneira de pensar, de forma que se possa prosseguir fazendo aquilo de que se gosta.
        Esta angústia não se restringe só aos artistas, mas contempla também o âmbito teológico, a dimensão religiosa do homem. Há uma ansiedade, angústia e necessidade da busca constante por algo que seja mais responsável do que nós mesmos pelas nossas decisões, atitudes e até as nossas mazelas. Então, começa-se a separar o que é bom tem origem divina, o que é ruim tem origem na carne, esquece-se que o ser humano é composto de várias dimensões e elas não podem ser extirpadas. Dualismo acaba se gerando a partir deste não entendimento.
        O que se perde em qualquer das posições é deixar de procurar pela síntese. A tendência é cair na crise angustiante ou achar um subterfúgio para não encará-la. O que propõe a autora é o subterfúgio: colocar em algo transcendente a causa da criatividade em suas ondas e da ansiedade que se tem em captá-la ou não tê-la e assim satisfazer as expectativas dos que observam. No fundo, todos fazem isso culpando o destino, Deus ou o diabo por aquilo que não conseguimos controlar ainda. Porém, o caminho mais sensato parece ser a busca da síntese: absorver críticas, angústias e retrabalhar as definições de homem, das relações com o mundo, os outros e Deus, das capacidades e incapacidades. Sobrepor o dualismo e entender a “multidimensionalidade” do homem em busca da resposta às perguntas de hoje e as de sempre.

      
        Por Carolina Bezerra

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