segunda-feira, 18 de outubro de 2010

DES-A-FIO

       Que o mundo atual sofre questiona-mentos em suas estruturas funda-mentais, isso é notório. Esse abalo forjará o nascimento de novas formas de compartilhar o conhecimento. O caminho está aberto e por ser construído. Todos os saberes serão, ao mesmo tempo, coadjuvantes. Estarão à mesa para interpretarem nossa realidade que, definitivamente, se traduz em MISTÉRIO. Pouco nós sabemos, e esse pouco voa, rebentando a linha da segurança, como uma Pipa segue o curso do vento, deixando saudades no coração da criança. Nesse novo tempo, se a teologia não quiser ser apenas saudosa lembrança, terá que ser presença sublime que balbucia, pela experiência e a teoria, sobre esse Mistério. Na universidade, a teologia seria um pouco mais livre, crítica e filosófica; e nas faculdades – que prepararam mais para a complexa realidade eclesiástica – a liberdade, a crítica e a filosofia na teologia poderiam ajudar, terapeuticamente, no processo de reconstrução de uma espiritualidade adulta, responsável, fraterna e menos culposa. Portanto, ambas necessitam de muita criatividade. O Mistério é imprevisível. Diante Dele, calamos pra falar e experimentamos para tentar des-crever. Assim nos arriscamos, fazendo frágil (a oder há) Teologia. Seguem, portanto, alguns corajosos e corajosas que aceitaram esse des-a-fio (em nossa desconstrução há um fio, fé): encontrar espiritualidade no coração da vida. Diálogos com Elizabeth Gilbert!

         Por Dell Delambre

sábado, 16 de outubro de 2010

INSPIRAÇÃO DIVINA NAS ESCRITURAS

Quando nos deparamos com uma grande pintura, com uma linda escultura, ricas em detalhes, ou quando estamos em frente a um “Best Sellers” começamos a pensar de onde vem tanta inspiração para que um indivíduo consiga fazer algo que se destoa tanto do cotidiano. Principalmente quando esse mesmo criador tem um histórico não muito criativo e não consegue criar outra obra de igual destaque.
Ao deparar com o depoimento a autora, começa-se a pensar no quanto Deus esta presente nas artes e até que ponto a criatividade divina esta predisposta para o homem, tendo como base que somos imagens e semelhanças Dele. A premissa de uma inspiração de um ser divino no momento da criação de uma arte soa como a inspiração divina para os autores e copistas dos livros da bíblia.
       Assim como um indivíduo, no momento de sua criação, pode ter inspiração tal, sendo capaz de criar a mais bela obra a humanidade jamais pensada por qualquer outro indivíduo, assim como o espírito divino é capaz de inspirar o escritor para que seja criada a sua mensagem salvífica para todos os que tiverem acesso, mostrando o que e como devem se comportar para estarem mais perto desse Deus inspirador.

Por Cíntia Estelita da Silva Silveira

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A IGREJA NÃO É SOBERANA


Elizabeth Gilbert é autora do livro “Comer, rezar e amar.” Ela fez um filme com o mesmo nome do livro que publicara. No vídeo, não podemos deixar de observar a mensagem “positiva” que, em todo tempo, Elizabeth Gilbert passa para seu público. Esse tipo de discurso tem feito muitas pessoas buscarem na mensagem “triunfalista” alívio para seus problemas. A religião tem tentado atrair pessoas através da mensagem positiva. Muitos são os que se apegam a tal discurso e, muitas vezes, dão conta de si e notam que “não deu tudo certo.” Isso gera frustração e piora a situação.
Elizabeth diz que se envolveu com práticas paranormais. Paranormal é a pessoa a quem se atribui grau de experiência e ações incomuns, fora do ordinário da capacidade humana de sentir e fazer. Muitos têm buscado, nessa experiência, sentido para a vida. Há uma grande necessidade no ser humano pelo espiritual. O ser humano tem tentando buscar, no lado místico, resposta e alívio para os seus anseios. Ela diz que seu trabalho é resultado do transcendental. A cada dia que passa, temos visto pessoas que testemunham sobre experiências com o sobrenatural. A Igreja (especialmente as evangélicas) tem “monopolizado” essa experiência com o sagrado. Ao meu ver, penso que Deus se revelou não a um grupo específico, mas a um povo que é dEle, e a humanidade pertence a Ele. Precisamos entender que Deus é soberano. Mas a Igreja tem tomado essa soberania para si. Muitas vezes nos achamos os donos da verdade e esmagamos todos que têm uma forma de pensar e experimentar Deus diferente de nós.


Por Janilson Soares

terça-feira, 12 de outubro de 2010

CRIANÇAS CUIDANDO DE CRIANÇAS

Ao pensar no rápido discurso de Elizabeth Gilbert sobre geinialidade e ao mesmo tempo fazer um link com as discusões que realizamos sobre como fazer teologia, a primeira coisa que me vem a cabeça é: somos um bando de crianças perdidas neste mundo, mas o pior é que existem outras crianças ainda menores que nós, que sabem menos que nós, e que talvez nem saibam o quanto estão perdidas.
O que fazer diante desta situação, como se portar diante do grande desafio que tenta se impor sobre nós? O desafio de encontrar sentido para as muitas situações que a vida propõe. Mas antes mesmo de qualquer coisa, como aceitar que nem mesmo nós que somos um pouco mais crescidas que elas, temos todas as respostas, também precisamos de ajuda? Se muitas das dúvidas que elas tem, também são dúvidas que nos incomodam até hoje, e que temos dúvidas que talvez elas nem imaginem que um dia terão ou poderão ter.
O fato é que até mesmo a ideia de nos acharmos mais crescidos que outras “crianças” não é algo que se pode afirmar de maneira que venha gerar confiança para elas. Mas ainda assim é o que devemos fazer, e é assim que devemos nos sentir. Somos mais crescidas sim, mas não por méritos nossos, mas porque antes de nós já viveram alguns “gigantes” que pensaram sobre muitas coisas que não imaginaríamos que um dia seria as respostas que esperávamos, e em algum momento esses gigantes foram tocados por seus gênios e o que era simples tornou-se algo grande e importante para muita gente. E é neste mesmo pensamento que devemos continuar a nossa caminha. Ainda que não temos todas as respostas, ainda que temos medo e insegurança quanto as muitas indagações da vida. Devemos continuar a pensar e pensar e pensar, até que sejamos inspirados por nosso gênio e consigamos diminuir ainda que somente uma das nossa muitas dúvidas, isso será o suficiente para fazer uma grande diferença e ainda encentivar os menores a continuar o que nós não conseguimos por completo.
Por Everton de Lima

FALAR DA VIDA COM INSPIRAÇÃO

 Os fazeres teológicos não são recentes, afinal, mais especificamente, os saberes teológicos se dão antes mesmo do gesto sublime do Criador. Esta ordem cronológica se estendeu até este momento: da Revelação à compreensão, construção e compreensão do manifestação do Sagrado.
        Quando se debruça na história para contemplá-la, e, assim, aprender com ela e entender o homem e a realidade presente, eventos mil são observados. Com a lente e o rastreador teológico, não é difícil se perceber e encontrar as fagulhas dos anseios ao Sagrado no decorrer do livro dos atos do ser humano, chamado história.
         O que se contempla, entretanto, são muitos esboços advindos da vontade de suplementar e completar o desejo e o grito pelo Sublime. Muitos intentaram e conseguiram escrever profundas e louváveis obras primas desde enciclopédias a compêndios. Outro fator importante é verificar que cada sentimento teológico era contemporâneo ao seu tempo e respondia aos desejos do seu tempo. Isto não significa que todos estes saberes devem ser descartados ou eliminados, mas, pelo contrário, eles lançam luzem ao entender e ao produzir de hoje.
       Ao fazer teologia, hoje, é importante ressaltar que as perguntas e as demandas mudaram e muito. Mas porque mudaram? Mudaram porque as exigências outras são. Com todo o surpreendente desenvolvimento lógico e racional das pessoas, a abertura ao conhecimento, a condução acessível às fontes de pensamentos e compreensão, fizeram com que as perguntas sejam mais e mais profundas e complexa.
       Elizabeth Gilbert, uma escritora norte-america-na, tem muito a ensinar, pois ela nos recorda a importância da inspiração. Aprende-se muita com esta genial pensadora também neste sentido, já que para se falar, se comunicar sobre algo tão importante que é a vida, seguindo os seus pontos de vistas, é preciso inspiração. Isto é algo, portanto, que não está no ser humano, é muito mais sublime, muito elevado e muito imiscível à sua natureza. O ser humano é um simples e valioso canal para a “materialização” desta Inspiração.

          Por Gustavo Mathias

O VATICÍNIO DE UMA VANGUARDA

         A despeito dos paradigmas pré-estabelecidos. A despeito de pessoas vocacionadas para o fracasso, que procuram trilhar os rumos da mediocridade. Necessita- se de indivíduos, com coragem o suficiente para subverter uma ordem. Que aceitem o papel de vanguarda. O que nem sempre é confortável. Um vanguardista é aquele que está na primeira linha de um exército à frente de uma batalha. Um sujeito destemido; um sentido mais amplo do termo se refere aquele que procura a renovação radical dos processos criativos e dos seus pressupostos estéticos. Um incômodo que deve gerar em nós uma atmosfera de renovação. Um processo criativo que busque a quebra de barreiras. Destruir velhas estruturas coercivas que venham a produzir medo e terror.
         A modernidade trouxe um conjunto de mudanças à sociedade. Tanto na formatação do cotidiano quanto no modo de representação da realidade. Um misto de transitoriedade e ruptura. Um estado efervescente de fragmentações. Modificando os referenciais para vida social e pessoal. Da heteronomia a autonomia, o indivíduo passa da total dependência de uma autoridade a uma total solidão espacial.
         A partir deste prisma necessitamos de um discurso comprometido com uma nova lógica. Que admita uma fluência supra-humana e que venha a ser dotada da mobilidade conferida pela autonomia. Um ponto de quiasma que nos livra da inércia conferida pela segurança psicológica de um sistema heterônomo e do sentimento de incapacidade gerado pela auto-suficiência da autonomia. Este discurso de vanguarda é o ponto de articulação dos processos ideológicos e dos fenômenos a serem respondidos. Sendo assim, a interação, um modo de produção social pode estar engajada numa intencionalidade que destituído de neutralidade, inocência, naturalidade, tornando-a, assim, lugar privilegiado de resposta às questões complexas de nosso tempo.
        
         Por Frederico Antunes Reis

TEOLOGIA PARA HOJE




         O homem moderno trás novas perguntas, pois este é o resultado da modernidade. A modernidade trouxe benefícios e também grandes dificuldades para a vida do homem. A vida do homem foi marcada pela história da humanidade e isto envolve também a vida religiosa, onde ela se faz presente em todos os sentidos, e de uma forma ainda mais forte do que possamos imaginar. 

         O mundo de hoje reflete parte desta história que por tantas variações passou e ainda passa. Na Idade Média, as respostas para as perguntas da fé humana vinham prontas, estavam nas escrituras, e não eram questionadas, pois “vinham diretamente” de Deus. Anos à frente, este pensamento mudou. O homem agora já tem as respostas para os anseios, e estas respostas estão na razão humana e assim vivemos o período do racionalismo e seus conflitos na vida o homem. A partir daí surge um mundo onde precisamos de uma teologia capaz dar resposta a este pensamento marcado pela história. 
         Elizabeth Gilbert, nos mostra em seu vídeo o quanto é importante que o teólogo consiga interpretar a vida deste homem a fim de que possa entendê-lo e responder as perguntas de um homem moderno que trás em si uma grande influência do passado. Este é o grande desafio da teologia para os dias de hoje.

         Por João Batista Soares

DEUS FALANDO

Durante os cultos, algo sempre me chamou aten-ção, “O momento da pregação”, “vamos ouvir o que Deus vai nos falar esta noite”. Todo este rompi-mento com o humano e objeti-vidade da palavra vinda de Deus me causava certo incômodo. Diante das barreiras etárias, sociocultural, certamente não demorava muitas palavras serem ditas para os primeiros questionamentos aparecerem, mas, diante do paradigma da Ortodoxia da revelação toda vinda de cima, tudo era silenciado.
Conheço, então, o paradigma da Teologia Liberal, “a experiência”, aquilo que vivo na esfera terrena passa a ser revelação também e a própria passa a se encher de mim. Diante desta subjetividade, ao invés de resolver o problema, as coisas só pioram.
Se pegarmos o pensamento de inspiração Grego e Romano e compararmos com o Racionalismo e Humanismo, chegaremos às mesmas conclusões e não encontraremos uma resposta objetiva.
Perfeição sempre será algo subjetivo, já que parte da premissa do que há de ser perfeito para cada qual indivíduo.
Podemos separar o Deus humanizado ou o Homem divinizado diante dos conceitos individuais?
Escolho a humildade (humus), pra respeitar o “Divino interagindo com o Humano”, o “Céu com a Terra”, o “Alto com o aqui embaixo”, inspirado na maior revelação, “Jesus”, o Deus revelado em Homem.

Por Eronildo de Carvalho Dias

COMER, REZAR E AMAR É TEOLOGIZAR?

Verificando a palestra da autora Elizabeth Gilbert’s, na qual a mesma tenta nos transmitir os acontecimentos que antecederam e que poderão suceder o “Best-seller”: Comer, Rezar e Amar, coube-nos a pergunta: o que tal assunto tem a ver com a teologia? Partindo da premissa de quando se quer, podemos plugar dois polos totalmente distintos, todavia, quando não queremos, nem os assuntos mais próximos temos dificuldade de assim entendê-los.
Quando pergunto “Comer, rezar e amar é teoligizar”, o faço do patamar de indagações refletidas pela autora que são comuns no universo daquele que se aventurará nas estradas sombrias e desérticas da teologia. A autora com muita propriedade vai debater o assunto: “criatividade”, com dois pontos de vista: primeiro – ou você entende que ela se dá por conta de um ser genial extracorpóreo que nos envolve e concede-nos a habilidade do ser criativo, pensamento que perpassou os 500 anos de pensamento racional humanista. Ou, simplesmente, entendemos que é faculdade intrínseca do ser criativo sendo ele a essência, fonte de todo o mistério criativo, a questão é: isso vai de encontro a nossa psique humana frágil diante de tamanha responsabilidade.
Entendemos que teologizar é estar diante da criatividade e ao mesmo tempo do sofrimento, são conceitos que não se separam, tem que se estar preparado para correr riscos, que nos levarão ao sucesso ou sofrimento. A proposta da nova teologia é justamente esta; a de não ter respostas prontas para toda a tensão social, antes ter a criatividade cercada pelos muros do sofrimento em dar respostas a partir de ouvir mais do que falar, entender mais do que explicar, observar mais do que transmitir. Enfim, fazer um link de comer, rezar e amar com teologia é se colocar no lugar de Elizabeth Gilbert’s, mais do que tudo, é se colocar no lugar de todo ser criativo que a despeito do medo, avança em busca do Novo.

Por Samuel Ricardo Ferreira Cesar

DOUTRINA DE DEUS

           Proveniente de Santo Agostinho, a doutrina de Deus causa sérias influências em todo o mundo, assim, estudá-la é extremamente relevante para nós teólogos.
        Algumas indagações surgem ao longo do estudo da teologia Divina, como por exemplo: como pode um Deus todo poderoso e imutável sentir a dor do sofrimento e não curar uma enfermidade e nos ajudar diante de uma complexa circunstância? Há, por exemplo, quem questione onde Deus está quando uma tragédia acontece no mundo, assim, concomitantemente, passamos a enxergar a Divina doutrina por uma perspectiva platônica e grega.
         Na antiguidade, não se criam que a criatividade era advinda dos seres humanos, ao revés, acreditavam que ela era um espírito Divino de plantão que sobrevinha ao encontro das pessoas de uma fonte longínqua e desconhecida, por razões, da mesma forma, longínquas e desconhecidas (segundo os gregos, esses espíritos eram conhecidos como Daemon). Para os romanos, esses espíritos eram tidos como gênios. Para eles, o gênio era uma entidade mágica e Divina que vivia nas paredes do estúdio de um artista e que saía e o ajudava em seu trabalho.
        Hodiernamente, é preciso saber lidar com situações que nos levam a um “beco sem saída”, contudo, os questionamentos que surgem quase sempre não têm resposta e, isto é por demais, justo e honesto! A Bíblia diz em Deuteronômio 29.29 “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.” Destarte, deixemos a Bíblia ser Bíblia, afinal de contas, ela deve ser nosso ponto de partida e jamais de chegada.
        Para tanto, é função da disciplina pensar os eventos globais, encontrar-se encharcada e repleta da dinâmica atual e linguagem realista. Assim, estudar a doutrina de Deus é partir dos questionamentos da sociedade, como a cultura e a perspectiva brasileira sobre Deus. Entretanto, há alguns dados que nos remetem a ouvir o som do silêncio.
        No Ocidente existem projetos marcados pelo Iluminismo, uma verdadeira forma de se compreender a vida, um meio no qual o ser humano é superelevado e posto como o cerne da história. Entrementes, há um contraste de ideais, pois, na Idade Média é Deus, o Senhor, quem se encontra no bojo da história.
        Neste comenos, compreende-se que só faz sentido estudar a doutrina de Deus quando Cristo é o cerne do evangelho.
        Ademais, para Karl Rahner, as obras teológicas revelam a necessidade de se falar sobre teologia fundamentados na realidade local, social e histórica, sob a égide da teologia Divina.

        Por Welesson Batista Veloso

“Oooolé!”

Muitos de nós, ao assumirmos nossa vocação, fomos questionados se tínhamos certeza do passo que estávamos dando. Isto também aconteceu com a escritora Elizabeth Gilbert.
A autora de “Comer, Rezar, Amar” conta que, ainda adolescente, ao ser perguntada sobre a profissão que escolhera, a reação e as perguntas de algumas pessoas eram sempre baseadas no medo: medo de não fazer sucesso, de não realizar seus sonhos, de expectativas serem frustradas, etc. Sua resposta sempre foi um curto “Sim!”, mas apesar dos medos, ela tinha convicção do que queria ser.
Hoje, quando se trata do seu ofício, ela tem se perguntado “por quê?”. “Seria racional uma pessoa ter medo de realizar um trabalho que ela sente ser sua missão na terra?” Seu questionamento é bastante interessante, pois todo projeto tem seus riscos e o medo torna-se, a meu ver, um aliado na realização deste trabalho. Com certeza, o medo de errar, de se frustrar ou decepcionar outras pessoas, por exemplo, faz com que o indivíduo se esforce ainda mais para que sua missão seja realizada com excelência.
Como teólogos, podemos aproveitar este aspecto positivo do medo, pois ele nos impulsiona a buscarmos respostas mais profundas para as questões que afligem a nós e às outras pessoas. Assim, poderemos agir honestamente, de forma mais leve, reconhecendo nossas limitações, porém, sem deixar que elas nos impeçam de progredir ou que o sentimento de fracasso nos leve a desistir. Precisamos ter nossa consciência limpa, com a certeza de que estamos fazendo a nossa parte, de que nos esforçamos e realizamos aquilo que propusemos fazer.
Na Espanha, por causa da cultura trazida pelos mouros, quando as pessoas gritam “Olé!”, significa que o que foi feito foi algo impossível, mágico, magnífico, divino. Como diz a autora, “se através do seu esforço acontecer um lampejo maravilhoso, então, “Olé!”. Se não acontecer, faça o seu trabalho do mesmo jeito e “Olé!” pra você também.”
“Olé!” para àqueles que têm amor e que continuam fazendo a sua parte, apesar de tudo! 

Por Wellsif O. Z. B. Rodrigues

CRIATIVIDADE – DIÁLOGO COM DEUS.

Na palestra proferida pela escritora Elizabeth Gilbert, autora do livro “Comer, rezar e amar”, que também foi transformado em filme com o mesmo nome, ela demonstra uma sensibilidade e coragem distintas.
Ao tratar de seu processo criativo na sua atividade profissional, a escritora menciona certa ligação com a paranormalidade – o lado espiritual pouco conhecido. Isto fica claro em sua crítica e rejeição à herança do Renascimento: o racionalismo humanista. Em outras palavras, o homem deixa de ser o centro do universo e a explicação de criatividade ganha um formato mais espiritualizado.
Esta nova visão mostra como variados artistas externaram sua ansiedade criativa por meio de diálogos com entes imaginários ou invisíveis. Este fato ajuda a combater o risco emocional da atividade artística, visto que cria uma construção psicológica protetora à psique humana. Fora disso, ela aponta a instabilidade emocional e a morte acentuada de muitas pessoas talentosas nos últimos 500 anos.
A autora relata uma fonte sobrenatural de sua criatividade, onde procura ficar “antenada” com o mundo sobrenatural. Esta ligação permite a ela continuar a produzir mais, sem o peso da obrigação de gerar uma obra de arte sempre. E o mais interessante que o fruto desse trabalho funciona como uma contribuição transcendente a toda humanidade, haja vista que a existência do artista é inferior à obra propriamente criada.
Por fim, isto representa para mim o manifestar de Deus na vida daqueles que ainda não têm uma linguagem no padrão religioso vigente e dominante, para externarem suas experiências espirituais. As Escrituras Sagradas nos ensinam que Deus não faz acepção de pessoas, porém a religião nos impõe um formato, às vezes, tão rígido que não nos permite observar claramente este fato.
Por Jorge Luis Menezes Cardoso

LIVRES PARA OUSAR


Ao olhamos para a sociedade do nosso tempo, percebemos, em grande parte, uma sociedade onde a presença do divino tem sido ignorada. O erro não está no divino, talvez, esteja na forma como ele tem sido apresentado.
Fazer uma teologia que corresponda à realidade desta sociedade é um desafio, ainda mais quando compreendemos que na concepção atual do homem, toda a criatividade vem de si mesmo.
Sendo assim, pensar em fazer teologia se torna difícil quando imaginamos que qualquer criatividade que seja feita é puro desejo de um ser humano decaído. Como se pensar em fazer uma Nova Teologia se todo o que produzimos é pecaminoso? Nesta concepção ousar construir uma Teologia diferente da vigente é afrontar Deus, visto que logo imaginamos que Deus pensa, ou deva pensar: Quem é este ser humano para ousar mudar o que Eu constituir?
Em sua palestra, a autora de "Comer, Rezar, Amar", Elizabeth Gilbert, relembra-nos de uma perspectiva que foi perdida. A crença, pelos antigos, de que toda e qualquer criatividade do ser humano é de influência do sobrenatural.
Uma vez que entendemos esta realidade não descartamos nossa responsabilidade, mas podemos ter o sentimento de dependência, e mais, podemos tranquilamente pensar em construir uma Nova Teologia sem achar que com isto estamos ofendendo a Deus. Sabendo que a criatividade é fruto do transcendente, temos o desprendimento para arriscar novos caminhos, novos horizontes que nos possibilitem dialogar com a sociedade de hoje.

Por Roosevelt Arantes

CRIATIVIDADE, TEOLOGIA E RESPONSABILIDADE

           Pensado sobre algumas aplicações práticas da palestra da escritora Elizabeth Gilbert em Alimentando a Criatividade, a pergunta primeira, como aprendiz de teólogo, que me vez a mente é: que legado deixarei para esta e próximas gerações no fazer teológico? Recordando-me de mentes brilhantes de teólogos antigos como Tertuliano, Agostinho, Tomás de Aquino, Calvino, Lutero e um mais contemporâneo cito Barth. Estes homens forma pessoas que nos agraciaram com compreensões importantíssimas a cerca da importância e do lugar da teologia no contexto macro da época em que cada um viveu e que norteia grande parte do nosso pensar e fazer teológico.
            John Bunyan pra mim é um exemplo de grande criatividade, homem simples e um tanto iletrado, simplificou muito bem em O Peregrino, a trajetória do cristão em direção a Deus (céu), provavelmente a alegoria cristã mais conhecida em todos os tempos. A criatividade é um adjetivo que deve permear o fazer teológico, pois isso possibilitará ao teólogo o processo de evolução de mudança produzindo algo único e original.
            Acredito que não devemos agir de modo narcisista e muito menos niilista quando somos contemplados por este advento ou o despertar da criatividade, que ao mesmo tempo é imanente a nós, pode ser para outro algo inerente ao ser humano. Prefiro acreditar que haja neste processo uma cumplicidade entre o humano e o divino. E que a criatividade é uma dádiva que, todavia precisa ser exercitada, procurada e trabalhada, é preciso que ela seja despertada do sono profundo e quando isto acontece, poderemos naquilo que fazemos propor algo novo e único e inovador. Acredito, baseado nisto, que a maior criatividade e desafio no fazer teológico, é sabermos correlacionar às demais ciências com a teologia num processo de dialógica. É preciso responsabilidade e seriedade na inovação.

       Por Jason Costa 

EM BUSCA DA SÍNTESE

        Em sua palestra, a autora de Comer, Rezar, Amar relembra o quanto a angústia pode assolar um homem após o Iluminismo e a Renascença. Esses períodos retiraram a magia metafísica que era contida em qualquer atividade humana e jogaram toda a responsabilidade sobre os ombros e a mente humana de onde se origina toda a razão.
        Ora, a proposta dela é simples: quando não se dá conta de lidar com isso, deve-se proteger a mente, e o que ela sugere é um retorno à antiga maneira de pensar, de forma que se possa prosseguir fazendo aquilo de que se gosta.
        Esta angústia não se restringe só aos artistas, mas contempla também o âmbito teológico, a dimensão religiosa do homem. Há uma ansiedade, angústia e necessidade da busca constante por algo que seja mais responsável do que nós mesmos pelas nossas decisões, atitudes e até as nossas mazelas. Então, começa-se a separar o que é bom tem origem divina, o que é ruim tem origem na carne, esquece-se que o ser humano é composto de várias dimensões e elas não podem ser extirpadas. Dualismo acaba se gerando a partir deste não entendimento.
        O que se perde em qualquer das posições é deixar de procurar pela síntese. A tendência é cair na crise angustiante ou achar um subterfúgio para não encará-la. O que propõe a autora é o subterfúgio: colocar em algo transcendente a causa da criatividade em suas ondas e da ansiedade que se tem em captá-la ou não tê-la e assim satisfazer as expectativas dos que observam. No fundo, todos fazem isso culpando o destino, Deus ou o diabo por aquilo que não conseguimos controlar ainda. Porém, o caminho mais sensato parece ser a busca da síntese: absorver críticas, angústias e retrabalhar as definições de homem, das relações com o mundo, os outros e Deus, das capacidades e incapacidades. Sobrepor o dualismo e entender a “multidimensionalidade” do homem em busca da resposta às perguntas de hoje e as de sempre.

      
        Por Carolina Bezerra

METAS PRECONIZADAS



       Num olhar mais franco e aberto sobre a palestra proferida pela escritora Elizabeth Gilbert se referin-do à sua vida profissional, pode-se perceber que ela ela relata fatos que muito tem haver com as nossas vidas, quer profissional, quer estudantil. Pessoas não acreditarem nas capacida-des intelectuais e habilida-des profissionais. Ela, muitas vezes, foi obrigada, a dar explicações àqueles que não entendiam a razão da sua tamanha dedicação à sua profissão como escritora. Ela era tida como uma condenada de tanto se dedicar na sua profissão com muita dedicação. Aqui, podemos questionar se assim somos nós quando estamos diante destes desafios e, inclusive, quando as pessoas em volta de nós não acreditam nas nossas capacidades.
        Elizabeth Gilbert foi confrontada com esta situação, houve momentos em que durante o seu discurso foi questionada se ela não tinha medo de não ser capaz de atingir o sucesso, ou seja, escrever um livro que não impactasse os seus leitores. Ela faz a ponte entre a teologia, ou seja, as discussões em salas de aulas que, na verdade, é o que fazer teologia exige de nós: uma capacidade de humildade, sabendo que temos ainda outras pessoas muito além nós em sua reflexão e precisamos ouvi-las para o nosso aperfeiçoamento teológico e acadêmico. E não só a nossa perfeição, mas também contribuir para ensinar aqueles que talvez estejam iniciando a sua caminhada, precisamos sempre revisar o nosso fazer teológico, a fim de encontrar caminhos que nos permitam conciliar os nossos discursos aos discursos teológicos.
        Na segunda parte do discurso da Elizabeth Gilbert, ela nos mostra claramente que há muita falta de criatividade, uma arte que tende desaparecer com o tempo. O fato é que sem a criatividade não há inspiração e sem inspiração nada se pode criar. Isto não só acontece na arte, mas também acontece com o fazer teológico. Em tudo têm que existir a criatividade, é preciso que haja espírito de criatividade, porque somos dotados de capacidade para o fazer.
       Diante destes desafios quando as pessoas não acreditam em nossas realizações, onde às vezes, ansiedade toma conta de nós, o medo, a insegurança, o receio de fracassar é iminente, ainda assim precisamos encontrar caminhos que apontem uma direção que precisamos tomar, isto é, acreditarmos mais e mais em nós mesmos e nas nossas capacidades, porque somos capazes de o fazer. Continuando nesta senda, precisamos ser persistentes nos nossos pensamentos. O nosso lema deve ser pensar sempre, a fim de vermos as nossas inquietações serem resolvidas, as nossas inseguranças sendo diminuídas ainda sem uma capacidade extraordinária. Ainda assim, necessitamos olhar avante pelo caminho para atingir das metas preconizadas.
      
       Por André Bartolomeu


TEOLOGIA PARA NOVOS TEMPOS

       A Teologia é uma ciência que precisa trabalhar constantemente de forma criativa. Nos últimos anos, temos testemunhado uma mudança na forma de fazer teologia, e como consequência, temos percebido resultados diferentes e diversos alcançados por ela. A teologia lida com gente, que muda constantemente. Isto deveria ser um desafio que nos movimentar para frente, mas, muitas vezes, faz o contrário. Deixa-nos estancados num lugar durante séculos, e em alguns casos, leva-nos a um retrocesso.
        Precisamos estar atentos às mudanças da sociedade e adaptar a nossa teologia às perguntas que surgem nesse processo. Nossa sociedade testemunha a mudança da era moderna para a era da tecnologia. Quantas perguntas têm surgido? Quantas interrogações têm atacado as pessoas? Quantas pessoas correm atrás de sentido para suas vidas? E a pergunta que eu faço para a Teologia: temos elaborado respostas para essas interrogações?
        Estejamos atentos às necessidades do mundo e sejamos sábios, inteligentes e criativos na hora de elaborar respostas. Esse gesto simples de tentar responder já é de muita ajuda para muitos.

        Por Andrés Duran

PAIXÃO PELA TEOLOGIA

       Como teólogos(as) muitas vezes padecemos com nosso trabalho. Passamos horas de sacrifício e parece ser uma obrigação o estudo e a produção teológica.
       Com o vídeo, aprendemos que não precisa ser um sacrifício o fazer teologia. Pelo contrário, precisa ser uma atividade apaixonante, que nos movimente e ajude a outros a fazê-lo também. Que nos faça melhores pessoas e ajude a outros a sentir-se melhor.
       Quantas vezes a teologia, o ministério pastoral, ou as atividades próprias da igreja, viram “ativismo” e nos prendem ou fecham em lugar de empurrar-nos para frente e ajudar-nos para o futuro?
       Precisamos enxergar o potencial que a teologia tem para ajudar-nos e ajudar a outra pessoa na caminhada da vida. Podemos fazer de nosso trabalho uma atividade apaixonante que molde não só nossos conhecimentos, mas nos transforme integralmente de forma ilimitada e interminável.

       Por Maria Esther 

O MINISTÉRIO E O NOSSO PRÓXIMO

A autora do livro “Comer, rezar e amar”, Elizabeth Gilbert, toca em vários pontos em sua palestra, porém dois me chamam muito atenção:
1. No medo de enfrentar as coisas, como escrever um novo livro que faça o sucesso,  ou como ela mesma disse em sua palestra, que quando era adolescente que tinha o sonho de ser escritora e as pessoas ficavam perguntando se ela não tinha medo de nunca ser uma escritora famosa. Trago isso para a nossa realidade de teólogos e as indagações que nos são feitas a todo o momento. Como teremos coragem de enfrentar algumas coisas no nosso ministério, recordo-me de uma das aulas do professor Delambre em que ele fala que o pastor tem a sua posse no sábado, e na quarta feira já tem muitas pessoas trazendo problemas para resolver como se o pastor já estivesse ali há anos no pastorado daquela igreja. E me faz pensar sobre a nova teologia que discutimos em nossas aulas, a teologia do amor, da dor, do cuidado... Temos que enfrentar os medos que passamos no hoje como ela tem enfrentado o medo que ela também tem, de não conseguir dar conta do seu trabalho.
2. No amor ao próximo, o que temos feito por eles? Nós temos apenas pena do nosso próximo como no início de sua apresentação que ela fala que as pessoas ficaram dela, ou estamos indo atrás para saber se ela é mais do que um livro escrito, mais do que palavras escritas em um momento de sua vida. Podemos tomar Cristo como exemplo, que não ficou só na aparência como podemos ver no caso de Zaqueu, que as pessoas apenas diziam que era um cobrador de impostos, mas ele foi à sua casa ter com ele e assim o conhecê-lo melhor. Ou o cego que estava à margem do caminho, onde era mais um cego em meio de muitos, mas Cristo foi ter com ele e viu que ele não era só mais um, mas um ser humano que estava querendo e precisando de amor.
O que temos feito como líderes? Como nós temos nos mostrado a nossos liderados? São perguntas que temos que fazer às nossas vidas, não só como lideres, mas como o próximo.

Por Fernando Mendonça

UMA MÍSTICA CRIATIVA



       Em nossa época, principalmente no mundo ocidental, o ser humano se apresenta como verdadei-ramente autônomo e responsável de sua situação global. Este fenômeno cultural é o resultado de um longo e complexo processo histórico, cujas raízes últimas são numerosas e de natureza bastante diversificada. Este processo que denominamos de secularização, se apresenta como uma ação real de emancipação da vida humana e da razão histórica, em relação a certo modo de entender o saber rigoroso e também em relação do modo de viver a religião, no âmbito pessoal e social.
       De acordo com a autora do livro “Comer, Rezar e Amar” Elizabeth Gilbert, este processo tem limitado a capacidade do ser humano de expressar a sua criatividade. Mas a pergunta que podemos fazer é: como em mundo moderno, agitado por constantes transformações, esta mística, até então esquecida, pode voltar a ser a fonte de criatividade para nós? Não serei ousado a ponto de dar resposta a uma pergunta tão complexa quanto esta, mas proponho que nos lembremos de alguns princípios: Primeiro, em Gênesis 1. 27 “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem...” Por sermos criados à imagem Deus, por natureza herdamos o seu DNA, neste estão impressos em nós a capacidade da criatividade. Segundo, em Salmo 19. 1-3: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos, (...) Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.”. Neste salmo, algo fica muito claro para nós, não há cultura, ou expressões culturais, sejam elas na linguagem, nas artes, músicas etc, em que não possamos perceber a impressão do Imago dei, ou seja, a imagem de Deus e sua manifestação visível ou não. Terceiro, e não menos importante, nos reportamos ao sociólogo Peter Berg, em seu livro Um rumor de anjos. Em seu livro, Berg afirma que o fato de todo este movimento de dessacralização, e o anúncio da morte de Deus, não decreta o fim da mística, mas mostra que está mística está mais viva do que nunca no coração de nossa sociedade, contudo, alerta ainda ser preciso saber enxergá-la e aproveitá-la.
        Diante disto, nós teólogos precisamos fazer coro à Elizabeth Gilbert, aos textos sagrados e a Peter Berg. Porque não voltarmos a conceber como ato divino o despertar de nossa criatividade? Porque não acreditar que há uma mística criativa, pronta a nos envolver? Talvez, perante a submissão a está mística viva é que podermos dar respostas plausíveis para uma sociedade carente de Deus.

        Por Marlison Torquet

A TEOLOGIA NOSSO DE CADA DIA

 Tendo em vista nossas aulas de teologia sistemática nesse semestre, podemos observar que não iremos fazer teologia se não tirarmos as vendas dos nossos olhos. Nos dias de hoje, fazer teologia é ter um discurso livre, mais fundamentado em um sistema, modelo, que caracteriza realmente o fazer teológico de cada um, mas como falar de teologia com os paradigmas floradas nas comunidades como nos dias de hoje.

       O problema da teologia em relação ao vídeo que assistimos é que não fazemos e pensamos não só teologia, mas coisas comuns do dia como antes, não se cria ou faz diferente não só teologia também como antes. Uma frase me chamou atenção nesse semestre “não se faz teologia no automático”, como diz o nosso professor Delambre. Não fazer teologia no automático, contradizendo com o filme, é como deixar as coisas acontecer e não fazer algo para mudar a rotina, é não deixar teologia virar uma rotina ou coisa costumeira.

       A teologia tem desafios de superar as máximas universalizastes e totalizantes dos dogmas teológicos, por isso é que precisamos criar e fazer da teologia ponto de acertos para nossa geração e comunidade que espera de nós teólogos.

Por Juliano Alves Rosa

UMA NOVA PERSPECTIVA DE VIDA

Relacionando o vídeo com as aulas do professor, entre os vários “links” que são possíveis, creio ser um importante aspecto a se notar a ideia da síntese. Elizabeth Gilbert ao descrever o processo de criatividade destaca dois períodos no qual o primeiro, carregado por elementos místicos, anulava completamente o elemento humano na criatividade; o segundo, enaltecendo a razão, colocava o ser humano no centro do universo desprezando qualquer elemento transcendente. Creio que Elizabeth visa demonstrar através de vários exemplos e de sua experiência própria que no processo criativo ambos (místico/humano) têm sua participação e valor sem a necessidade de se excluírem. Minha reflexão é que a mesma percepção demonstrada por Elizabeth, apesar da complexidade em se falar do elemento transcendente, aplica-se à teologia. Teologia hoje vivencia uma crise. O mundo contemporâneo é um mundo que se vê traído, pois quando firmado e guiado pela teologia, sua segurança se desfez diante das atrocidades da igreja. E agora a humanidade, depois de firmar-se na antropologia positivista, vê-se fadada pela falência e competitividade humana. Em meio a todos esses desapontamentos, o indivíduo pergunta hoje para onde ir. Creio ser este o momento de superar o dualismo e em uma releitura, tanto da teologia quanto do humanismo, apresentar ao indivíduo de hoje uma nova perspectiva de vida. A teologia deve reler o passado sobre a seguinte pergunta: o que está ultrapassado e o que pode aproveitar-se hoje? Ou seja, seu modelo é um modelo adaptável sem perder elementos essenciais de sua gênese, uma teologia que considera os processos aos quais está sendo aplicada e suas respostas são mais construtivas do que enunciadas sem a devida reflexão.
Por Thiago Rosendo de Souza

MARAVILHOSA EXPERIÊNCIA

Essa dimensão criativa exterior aos seres humanos que a escritora Elizabeth Gilbert em seu discurso afirma ser importante trazer de volta para a arte a fim de diminuir um pouco a pressão e até mesmo a responsabilidade do autor humano em meio a sua limitação no processo criativo, essa mesma dimensão se perdeu ao longo dos anos também na teologia. Uma verdadeira crise se instaurou tanto na arte como na teologia com o advento da modernidade, cujo principal fundamento era a negação do transcendente. Para a escritora Elizabeth, este foi o maior erro que a humanidade pode cometer, pois era responsabilidade demais para a nossa frágil psique humana abandonar “Deus”. E, segundo ela, é esta pressão que tem matado pessoas durante anos. As ideias humanistas não afetaram somente os artistas, mas também nos afetou, enquanto teólogos. A modernidade secularizou a sacralização que a igreja fazia do ser humano. Porém, é preciso trazer a mística de volta, não só para a arte, para a teologia, como também para a vida! Agora é tempo de reconstruir o que se perdeu. Reconstruir, não exatamente da mesma maneira que era há 500 anos, pois o homem mudou, sabe do que é capaz. Não é qualquer discurso teológico que o convencerá da sua limitação. É preciso reconstruir a mística a partir da reflexão que a modernidade nos trouxe: de que é preciso que o ser humano reconheça a sua fragilidade enquanto criatura, admita que Deus é mistério, que não pode ser definido, mas que ao mesmo tempo é um ser que ama e que deseja se relacionar com o ser humano. Na conclusão do seu discurso, a escritora reconhece que existe um ser transcendente querendo se relacionar. É preciso, então, fazermos a nossa parte a fim de vivermos esta maravilhosa experiência.
Por Alline da Mota R. Rosendo

O MEU MUNDO É O DO OUTRO TAMBÉM

       Quando pensamos em fé, sentimos que o assunto está meio que abalado. Parece que o cristianismo é irrelevante para as pessoas de nosso século, onde a modernidade, através do relativismo religioso, tem tragado o pensamento do povo cristão, sobretudo a fé. Neste sentido, temos que nos conscientizar de que nosso fazer teológico precisa seguir a receita de Elizabeth Gilbert, que em seu livro, Comer, Rezar e Amar, fala-nos sobre usarmos a criatividade para alcançar nossos objetivos. 
       A autora relata sua experiência em busca de “satisfação” pessoal, que nos envolve em uma teia de sentimentos propagados pelas situações mais diversas. O sucesso alcançado por Elizabeth é fruto de uma linguagem que alcança o outro, ou seja, a autora narra a sua experiência que ao mesmo tempo se identifica com a de todos nós. Os fatos narrados são fatos do ser humano em si, e isto traz um entusiasmo que faz com que o leitor sinta uma vontade louca de prosseguir em busca de seu sonho, mesmo que lhe pareça um louco sonho. Talvez este seja o nosso grande desafio, seguir o “receituário” proposto, fazendo teologia alcançando o outro, dentro das expectativas do outro e não somente em acordo com nossa experiência de fé.
      As pessoas ao nosso redor precisam ver em nós emoção, satisfação, coragem, empenho, perseverança e principalmente amor. Nosso mundo precisa ser o mundo do outro, mas o mundo do outro também precisa ser o nosso mundo. Agindo desta maneira, teremos motivos, mais que suficientes, para prosseguir no sonho de uma humanidade melhor, vivenciada pelo respeito e amor ao próximo, mesmo que nos pareça utópico.

       Por Cleudair Godoi

GÊNIO DIVINO E MAROTO

A fala da autora dialoga perfeitamente com a teologia que é feita hoje em dia. Nós vemos a autora descrever, mesmo que sem a intenção, suas experiências com o divino. Isso não se dá de forma ortodoxa (como vemos nos manuais de teologia, que fossiliza Deus, o limitando a categorias humanas) e, sim, na forma simples da vivência do cotidiano.
As reflexões contidas no discurso da autora confrontam com as limitações humanas, ou melhor, as limitações que o homem encontrou após pensar que era onipotente são evidenciadas. Isso se desencadeou, conforme também pensa a autora, quando o homem se colocou no centro de todas as coisas (antropocentrismo), pensando que poderia resolver tudo com a sua razão. Com essa constatação dos limites humanos, surge a pergunta: Há algo além do homem, que lhe dá criatividade?
Colocada a pergunta, a autora caminha para uma resposta de forma particular ou pessoal e, não de forma universal ou geral, como era buscada a resposta em outras épocas. Isto é visto claramente, quando são descritas as experiências de um poeta, de um músico e da própria autora.
Como os exemplos da comunidade joanina, no Novo Testamento, e da cultura judaica no Antigo Testamento, vemos elementos da cultura incorporados no discurso feito pela autora, ou seja, a resposta encontrada perpassa pelo Verbo que se fez carne na cultura. Melhor dizendo, a resposta é encontrada no divino que se faz presente na cultura.
A que pergunta foi gerada, nada mais é do que o sentimento de que falta algo, que se faz presente nas pessoas que acreditam ser autossuficientes, e que apenas pode ser preenchido pela presença de Deus, o transcendente, ou como diz a autora, o gênio divino e maroto.

Por Flávio Sette

ALGO ALÉM DE NÓS MESMOS


A escritora tocou em pontos fundamentais da vida. Pontos esses que nos ajudam a viver de maneira mais justa, menos sufocante e mais humana, que falam para mim, mas que falam principalmente acerca do meu olhar para com o outro, o próximo.
Não somos o centro da existência, não somos capazes de fazer tudo, não somos insubstituíveis, o mundo não gira em torno de nós, mas nós giramos junto com ele, todos nós, juntos. E é por isso que juntos devemos ser e permanecer.
A principal lição que Elizabeth Gilbert nos deixa é o cuidado. Cuidado ao olhar uma pessoa e achar que ela é auto-suficiente. Lá no meio da sua alma pode ter alguém gritando, pedindo socorro, pois está aprisionada em concepções próprias que foram estabelecidas por outras pessoas. Cuidado ao olhar para dentro de você mesmo e achar que tudo de bom que você faz vem de você.
Gosto de associar a vida como uma orquestra, pessoas e seus instrumentos, que precisam ser tocados, e um Maestro. As pessoas necessitam tocar os instrumentos, cada um diferente do outro, que são as suas vidas. E para que dessas vidas saia uma melodia perfeita todos precisam tocar juntos, no mesmo compasso, com acordes que se ligam em tons, uns nos outros. Mas sem o Maestro é impossível ter vida. O Maestro é o centro de uma orquestra.
“Permitir que alguém, uma mera pessoa, acredite que ele ou ela é o vaso, o molde, a essência e a fonte de todo o mistério criativo, divino, eterno e desconhecido, é um pouco de responsabilidade demais (...) Não acredite que os aspectos mais extraordinários do seu ser vêm de você”.[1] Assim a autora nos deixa uma interrogação, mas que para mim é uma exclamação. Existe algo que nos move, algo que nos faz tocar a nossa vida, algo que nos inspira, algo que nos ajuda a fazer isso ou aquilo, algo que nos tira o peso do sofrimento, algo que nos dá alegria de viver. Para mim, este algo é Deus! E para você?

Por Márcio Viégas



[1]GILBERT, Elizabeth. Vídeo, palestra: Uma maneira diferente de pensar sobre gênios criativos. Disponível em: http://www.elizabethgilbert.com/


CRIATIVOS POR INSPIRAÇÃO

          Elizabeth Gilbert descreve com louvor etapas de um processo, que ela chama de criativo, mas que poderemos chamar de inspirativo.
       A grande verdade a-presentada em sua prédica e que, como teólogo, preciso avaliar é o meu verdadeiro papel na arte de interpretar a vida, as questões que a envolvem e procurar respondê-las como a seriedade de um cientista e o coração de um pastor.
       O dualismo “persegue” os escritores como faz com o teólogo, ou tudo caiu do céu, ou eu sou o centro das minhas pregações, artigos, poemas, sem valorizar a Deus e aos outros. Isto é um convite à frustração, pois o sucesso torna-se algo a ser conquistado e a dor parte inútil da vida, quando na verdade o contrário é verdadeiro.
       O sucesso não é medido e tão pouco caçado e a dor é uma escola, porque na verdade o que vale não é o que as dores fazem conosco, mas sim o que nós fazemos com ela.
Somos parte de um processo, um processo de revelação de Deus à humanidade que ele tanto ama, é ele que opera em nós e por nós, logo assim, como descreve Gilbert, não devemos temer à vocação que é o único motivo pelo qual a vida vale a pena ser vivida.
       A grande sacada é buscar o equilíbrio e atuar onde é a minha “praia” e ter a humildade de não entrar onde só O Senhor pode estar.

        Por André Daniel