Essa dimensão criativa exterior aos seres humanos que a escritora Elizabeth Gilbert em seu discurso afirma ser importante trazer de volta para a arte a fim de diminuir um pouco a pressão e até mesmo a responsabilidade do autor humano em meio a sua limitação no processo criativo, essa mesma dimensão se perdeu ao longo dos anos também na teologia. Uma verdadeira crise se instaurou tanto na arte como na teologia com o advento da modernidade, cujo principal fundamento era a negação do transcendente. Para a escritora Elizabeth, este foi o maior erro que a humanidade pode cometer, pois era responsabilidade demais para a nossa frágil psique humana abandonar “Deus”. E, segundo ela, é esta pressão que tem matado pessoas durante anos. As ideias humanistas não afetaram somente os artistas, mas também nos afetou, enquanto teólogos. A modernidade secularizou a sacralização que a igreja fazia do ser humano. Porém, é preciso trazer a mística de volta, não só para a arte, para a teologia, como também para a vida! Agora é tempo de reconstruir o que se perdeu. Reconstruir, não exatamente da mesma maneira que era há 500 anos, pois o homem mudou, sabe do que é capaz. Não é qualquer discurso teológico que o convencerá da sua limitação. É preciso reconstruir a mística a partir da reflexão que a modernidade nos trouxe: de que é preciso que o ser humano reconheça a sua fragilidade enquanto criatura, admita que Deus é mistério, que não pode ser definido, mas que ao mesmo tempo é um ser que ama e que deseja se relacionar com o ser humano. Na conclusão do seu discurso, a escritora reconhece que existe um ser transcendente querendo se relacionar. É preciso, então, fazermos a nossa parte a fim de vivermos esta maravilhosa experiência.Por Alline da Mota R. Rosendo
Nenhum comentário:
Postar um comentário