No vídeo "Uma maneira diferente de pensar sobre gênio criativo" [1], Elizabeth Gilbet faz uma série de apontamentos acerca da criatividade, seja do artista, do escritor, do músico e outros. Esses apontamentos são relevantes também para o campo da teologia, uma vez que o teólogo necessita de criatividade e de profundidade para abordar os temas teológicos.
Elizabeth destaca no vídeo os momentos de angústia, de solidão e de insegurança do artista. O que de fato deveria ser uma realidade na vida do teólogo, uma vez que “toda criatividade pede por um encontro com nossa solidão, e que o medo desse encontro limita severamente” [2] a possibilidade de auto-expressão. Esta auto-expressão deve refugiar-se também no contato com a vida, com o pastoreio, descobrindo o povo, com as suas necessidades e problemas. O povo ajuda o teólogo a se encontrar enquanto tal, pois o sal só é saboroso na comida, fora dela é intragável. O teólogo deve ser o tempero criativo em meio ao povo, servindo, ensinando e aprendendo.
Esse envolvimento com o povo e a história, proporciona ao teólogo traços peculiares e marcantes. Esses traços são de extrema importância para sua obra e para a vida das pessoas. O teólogo envolve e conscientiza as pessoas acerca dos mistérios divinos, ainda que muitos os ignorem. O escritor grego Nikos Kazantizakis descre com propriedade tal anseio humano em compreender parte desses mistérios, ao afimar:
Por uma só coisa anseio: aprender o que se esconde atrás dos fenómenos; desvendar o mistério que me dá a vida e a morle; saber se uma presença invisível e imota se esconde além do jluxo visível e incessante do mundo.
Pergunto e torno a perguntar, golpeando o caos: quem nos planta nessa terra sem nos pedir licença ? Quem nos arranca da terra sem, nos pedir licença ?
Sou uma criatura fraca e efémera, feita de barro e sonhos. Mas sinto em mim o turbílhonar de todas as forças do Universo.
Antes de ser despedaçado, quero ter um instante para abrir os olhos e ver. Minha vida não tem outro objetivo. Quero achar uma razão de viver, de suportar o terrível espetáculo diário da doença, da fealdade, da injustiça e da morte.
Vim de um lugar obscuro, o Útero; vou para outro lugar obscuro, a Sepultura. Uma força me atira para fora do abismo negro; outra força me impele irresistivelmente para dentro dele. [3]
O vídeo desperta então uma discussão relevante e desafiadora, visto que os elementos que envolvem o gênio criativo remontam essa noção do divino e ao mesmo tempo nos transporta para lugares e experiências não conhecidas. Desfazendo essa noção racionalista de que as decisões e a criatividade são definidas somente pela razão. Antes a maior parte de nossas decisões, e da criatividade desenvolve-se inicialmente em razão do que sentimos ou acreditamos. “Só depois racionalizamos para justificar nossas escolhas. [...] baseamos a nossa vida mais no que acreditamos do que no que sabemos.” [4]
Por Gilberto Oliveira

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