A despeito dos paradigmas pré-estabelecidos. A despeito de pessoas vocacionadas para o fracasso, que procuram trilhar os rumos da mediocridade. Necessita- se de indivíduos, com coragem o suficiente para subverter uma ordem. Que aceitem o papel de vanguarda. O que nem sempre é confortável. Um vanguardista é aquele que está na primeira linha de um exército à frente de uma batalha. Um sujeito destemido; um sentido mais amplo do termo se refere aquele que procura a renovação radical dos processos criativos e dos seus pressupostos estéticos. Um incômodo que deve gerar em nós uma atmosfera de renovação. Um processo criativo que busque a quebra de barreiras. Destruir velhas estruturas coercivas que venham a produzir medo e terror.
A modernidade trouxe um conjunto de mudanças à sociedade. Tanto na formatação do cotidiano quanto no modo de representação da realidade. Um misto de transitoriedade e ruptura. Um estado efervescente de fragmentações. Modificando os referenciais para vida social e pessoal. Da heteronomia a autonomia, o indivíduo passa da total dependência de uma autoridade a uma total solidão espacial.
A partir deste prisma necessitamos de um discurso comprometido com uma nova lógica. Que admita uma fluência supra-humana e que venha a ser dotada da mobilidade conferida pela autonomia. Um ponto de quiasma que nos livra da inércia conferida pela segurança psicológica de um sistema heterônomo e do sentimento de incapacidade gerado pela auto-suficiência da autonomia. Este discurso de vanguarda é o ponto de articulação dos processos ideológicos e dos fenômenos a serem respondidos. Sendo assim, a interação, um modo de produção social pode estar engajada numa intencionalidade que destituído de neutralidade, inocência, naturalidade, tornando-a, assim, lugar privilegiado de resposta às questões complexas de nosso tempo.
Por Frederico Antunes Reis

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