Na palestra proferida pela escritora Elizabeth Gilbert, autora do livro “Comer, rezar e amar”, que também foi transformado em filme com o mesmo nome, ela demonstra uma sensibilidade e coragem distintas.
Ao tratar de seu processo criativo na sua atividade profissional, a escritora menciona certa ligação com a paranormalidade – o lado espiritual pouco conhecido. Isto fica claro em sua crítica e rejeição à herança do Renascimento: o racionalismo humanista. Em outras palavras, o homem deixa de ser o centro do universo e a explicação de criatividade ganha um formato mais espiritualizado.
Esta nova visão mostra como variados artistas externaram sua ansiedade criativa por meio de diálogos com entes imaginários ou invisíveis. Este fato ajuda a combater o risco emocional da atividade artística, visto que cria uma construção psicológica protetora à psique humana. Fora disso, ela aponta a instabilidade emocional e a morte acentuada de muitas pessoas talentosas nos últimos 500 anos.
A autora relata uma fonte sobrenatural de sua criatividade, onde procura ficar “antenada” com o mundo sobrenatural. Esta ligação permite a ela continuar a produzir mais, sem o peso da obrigação de gerar uma obra de arte sempre. E o mais interessante que o fruto desse trabalho funciona como uma contribuição transcendente a toda humanidade, haja vista que a existência do artista é inferior à obra propriamente criada.
Por fim, isto representa para mim o manifestar de Deus na vida daqueles que ainda não têm uma linguagem no padrão religioso vigente e dominante, para externarem suas experiências espirituais. As Escrituras Sagradas nos ensinam que Deus não faz acepção de pessoas, porém a religião nos impõe um formato, às vezes, tão rígido que não nos permite observar claramente este fato.
Por Jorge Luis Menezes Cardoso

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