Ao olhamos para a sociedade do nosso tempo, percebemos, em grande parte, uma sociedade onde a presença do divino tem sido ignorada. O erro não está no divino, talvez, esteja na forma como ele tem sido apresentado.
Fazer uma teologia que corresponda à realidade desta sociedade é um desafio, ainda mais quando compreendemos que na concepção atual do homem, toda a criatividade vem de si mesmo.
Sendo assim, pensar em fazer teologia se torna difícil quando imaginamos que qualquer criatividade que seja feita é puro desejo de um ser humano decaído. Como se pensar em fazer uma Nova Teologia se todo o que produzimos é pecaminoso? Nesta concepção ousar construir uma Teologia diferente da vigente é afrontar Deus, visto que logo imaginamos que Deus pensa, ou deva pensar: Quem é este ser humano para ousar mudar o que Eu constituir?
Em sua palestra, a autora de "Comer, Rezar, Amar", Elizabeth Gilbert, relembra-nos de uma perspectiva que foi perdida. A crença, pelos antigos, de que toda e qualquer criatividade do ser humano é de influência do sobrenatural.
Uma vez que entendemos esta realidade não descartamos nossa responsabilidade, mas podemos ter o sentimento de dependência, e mais, podemos tranquilamente pensar em construir uma Nova Teologia sem achar que com isto estamos ofendendo a Deus. Sabendo que a criatividade é fruto do transcendente, temos o desprendimento para arriscar novos caminhos, novos horizontes que nos possibilitem dialogar com a sociedade de hoje.
Por Roosevelt Arantes

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