A fala da autora dialoga perfeitamente com a teologia que é feita hoje em dia. Nós vemos a autora descrever, mesmo que sem a intenção, suas experiências com o divino. Isso não se dá de forma ortodoxa (como vemos nos manuais de teologia, que fossiliza Deus, o limitando a categorias humanas) e, sim, na forma simples da vivência do cotidiano.
As reflexões contidas no discurso da autora confrontam com as limitações humanas, ou melhor, as limitações que o homem encontrou após pensar que era onipotente são evidenciadas. Isso se desencadeou, conforme também pensa a autora, quando o homem se colocou no centro de todas as coisas (antropocentrismo), pensando que poderia resolver tudo com a sua razão. Com essa constatação dos limites humanos, surge a pergunta: Há algo além do homem, que lhe dá criatividade?
Colocada a pergunta, a autora caminha para uma resposta de forma particular ou pessoal e, não de forma universal ou geral, como era buscada a resposta em outras épocas. Isto é visto claramente, quando são descritas as experiências de um poeta, de um músico e da própria autora.
Como os exemplos da comunidade joanina, no Novo Testamento, e da cultura judaica no Antigo Testamento, vemos elementos da cultura incorporados no discurso feito pela autora, ou seja, a resposta encontrada perpassa pelo Verbo que se fez carne na cultura. Melhor dizendo, a resposta é encontrada no divino que se faz presente na cultura.
A que pergunta foi gerada, nada mais é do que o sentimento de que falta algo, que se faz presente nas pessoas que acreditam ser autossuficientes, e que apenas pode ser preenchido pela presença de Deus, o transcendente, ou como diz a autora, o gênio divino e maroto.
Por Flávio Sette

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